Com meu filho não !

Filho, não quer que a mãe faça seu tema?

Filha, deixa que eu mesma vou dizer para a sua amiga umas boas verdades.

Filho, deves estar muito cansado, o pai trabalhou o dia todo, mas você pode descansar que eu faço o seu lanche.

Filha, deixa que o pai paga, não precisa se esforçar, afinal tu és a minha princesinha!

Esse comportamento tem um nome, que logo mais irei desvendar.

Vem de uma geração onde seus pais acreditavam que ter estabilidade no emprego e casa própria era sinônimo de felicidade plena.

O fruto desses pais criaram filhos que, bem longe do ideal da família, acreditavam na felicidade sem grandes status. Morar de aluguel e viajar, jantar miojo mas estar com os amigos, reunir familiares em casa para uma churrascada ao ir apenas os 4 num restaurante Cool do momento.

E seguindo a cadeia, eis que surgem os filhos desses pais desapegados do material. E temos então os PAIS – HELICÓPTEROS.

Mas cadê toda aquela ginga e malemolência da geração anterior ? O que deu errado aí nesse meio tempo?

Deixo claro que não generalizo nenhum comportamento. Mas é impossível você não se identificar em algum momento com algum trecho desse texto!

Ser pai ou mãe é querer ver seu filho sempre bem,feliz e realizado. Até aí nada de errado. O que não pode ser mais tolerado é a falta de frustração que os adolescentes estão passando. Tudo se dá um jeito,  a mãe se escabela para a filha não passar por tímida e com aquele sorriso amarelo responde: ela não acordou bem hoje.  Acordou sim. O período da era industrial já passou, e seu filho não precisa e não É  igual ao coleguinha do lado.

O pai, aquele que andava de alpargatas e ônibus, hoje não tolera ver seu filho caminhar duas quadras, não admite que a professora os cobre o dever de casa e muito menos que ele não participe dos grupos “pops” da escola.

Se o adolescente tem vários adjetivos em seu currículo é bom que todos saibam, pois não basta o filho exercer o que lhe deixa feliz, é preciso que a sociedade saiba, de preferência com dados estatísticos e com riqueza de detalhes. Filhos cheios de diplomas, porém inempregáveis.

A linha entre garantir uma boa educação- ajudá-lo a construir um futuro interessante e acreditar que se forem melhores em tudo é garantia de uma vida abundante é muito tênue. Protegê-los de tudo, impedindo o amadurecimento,  castrando a autonomia e colocando a culpa de um mundo violento é muito egoísmo. Se apoiar na bengala: está dentro de casa, não está correndo risco na rua, hoje em dia com essa marginalidade não dá para vacilar. E onde está o vacilo? Embaixo de um folgado sempre existirá um sufocado, sábias palavras do escritor Içami Tiba.

É difícil saber lidar com essas inseguranças vindas dos filhos, sendo que os pais,talvez ainda não sanaram as suas. Mas é preciso deixar os filhos alçarem seus próprios voos, os desembrulhando do plástico bolha, deixando que vivam de maneira correta e plena todas as fases que são inerentes.

Envolver-se na vida dos filhos é ato incondicional de autoridade parental, mas exigir que sejam melhores em tudo é ofuscar o que há de mais belo na vida do ser humano: a aprendizagem

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